quinta-feira, agosto 5

sweetest kill

I just wanted sex
but you wanted love
so you gave me romance
and now i'm fucked up.

MEDO

Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.


letra: Reinaldo Ferreira

segunda-feira, julho 26

Porque esqueceste os meus anos.

Aqui, como noutro qualquer lado.
Talvez mais aqui, onde me encontro sentada;
talvez só agora possível e não no passado.
Apresenta-se a vida, por momentos, fatiada.

Já dizia o poeta, que vem não sei de onde e dói não sei porquê.
Porém, eu sei onde mora e está onde qualquer um vê.
Encontro-me aqui, à espera,
encontro-me só, no mesmo lugar,
encontro-me como quem desespera,
que a saída não chegue tão devagar.

Foram tempos nefastos,
Foram tempos de indiferença,
foram tempos de esperança
e hoje até ignoro a sentença.

Tinha prometido a mim própria
A permanecer sem ambiguidades
Mas bastou uma brisa do teu cheiro
Para renascerem estas saudades.
Pergunto-me se será verdadeiro
se se manifesta como o sentia...
Dizem-me que a resposta é evidente:
a chama arde, mas não brilha...

E mais poderia dizer,
se não fosse nosso segredo.
Eu porque as não deveria saber,
tu porque nelas vives com medo.


Janeiro 2010

sexta-feira, junho 18

Saramago.

"Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros."

"Onde estava todo esse dinheiro? Estava muito bem guardado. De repente, ele apareceu logo, para salvar o quê? Vidas? Não. Apareceu para salvar os bancos."

"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida."

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne e sangra todo dia."

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."



José de Sousa Saramago
Golegã 1922 - Lanzarote 2010
Prémio Camões 1995
Nobel da Literatura 1998


sábado, fevereiro 6

III

Pergunto porque desejas, se o apetite que brota é infausto.
Vivo ou morto, nada trará de volta aquilo que te perdi.
Na última parte, enganas menos o outro do que a ti.

SemVagar.

Agendei o meu tempo em torno de te ver.
Esqueci-me que o desejo distorce o acontecer.
A razão espera-me sempre na esquina do saber.
Em intervalos de tempo, inconscientes ao meu ser.
Cada vez que lá tropeço, crescem sensações de poder.
Acordo só para mim, um pouco antes de adormecer.
Que se a noite permanecer, contra o dia o querer.
Apelo à ruína e em motim afirmo: vai-te f*der!

Delusão.

Vens em pezinhos de lã, entre delusões, tecer ideias;
(re)nascem vontades e para quê;
se ambos sabemos que o limite vai de um ao outro.
Remexem-se estórias e a história,
nada do que já foi poderá de novo ser.

Preciso de ti, quando estás na outra margem.
Vem a mim, ao meu colo, eu te aconchego.
Sopro as nuvens, despeço a névoa;
não mais a água é turva para que a atravesses.
Estendo-te a mão, reconheces a direcção a seguir.
Porém, basta-me saber que vens.

Não esperes por mim, só pelo meu desejo;
chega-te metade, pois não suportas o todo.
Nunca suportarás, enquanto a fuga estiver marcada;
Nunca saberás, se o tempo não entorpecer.
Borda-se a vontade, descose-se a verdade.

Não sei a que te referes ou quiçá a reflexão é curta.
O reflexo, não o confesso como meu.
Lembro-me de quando em vez o aluir do disposto;
e sigo saltando, entre as pedras que bulem.
É que lá no âmago, o aflito olha-me e eu...
Desvio o olhar com vergonha de nele me esquecer.

Pedras no caminho? Não as guardo, como o poeta;
não é meu desejo construir um castelo.
Amontoam-se, na minha sombra e quando delas carecer,
com precisão, no tempo e no espaço,
o fito será certo e insignificante a conclusão.

Valha-me o externo, pois no íntimo o vazio é senhorio.
Na sede de ser, vampiro me pareço.
Porque não posso estacar ou em troca o brilho se perde.
Desconectar-me em pedaços, consciência tenho do que sou.
Preciso de ti ou de outra personagem, tanto faz;
na verdade, apenas que me faça sentir o agora.

São filhos da puta que andam por entre a plebe;
se cruzam no ar que respiro e o empobrecem;
pertencem-lhes Selfs em ilhas, que se afastam.
No limite, interrompe-se a função do seu X;
de que vale a casca se as lagartas apodrecem o tutano?