domingo, novembro 1

Fez hoje anos.

Perguntar-me-ão, talvez, mas o quê não direi.
O plasma corre num tom pastel em volta do meu ente, daquilo que amei.

Longo foi o tempo, tingido de vontade.
Vassala de uma compulsiva agitação residente no id, na tua saudade.

Fez hoje anos.

E decerto, para esta data, não acordarás.
O soberano presente plasma as migalhas do que de mim ficou, lá atrás.

Como todas as coisas, esta mais uma.
Logro-me numa postura atónita, palpita-me o dentro por causa nenhuma.

Fez hoje anos.

Sei que antes já foste e agora também vais.
Se me desses a escolher na estreia, escolhia só a foto porque dura mais.

sábado, janeiro 31

De verde a podre.

As pessoas são complexas. Pequenos ou grandes puzzles, com dificuldades mais ou menos agravadas. Por vezes, faltam-lhes peças, algumas partículas da constituição de um ser no seu todo. Ou será que nos faltam a nós e à nossa percepção? Limitados à nossa maneira, à nossa visão do exterior, interferindo no modo como compreendemos os outros, vimo-los como incompletos, incoerentes, indefinidos, através do filtro individual que cada um de nós possui.
A incompletude pode percepcionar-se como um sinónimo de imaturidade, de uma falta essencial ao sujeito no que respeita ao seu desenvolvimento. Tendo em conta as ideias evolucionistas do nosso tio Darwin, compreende-se a imaturidade como um caminho para atingir a maturidade, atingir a conclusão, completar o puzzle. Neste sentido, o processo de “obtenção” da maturidade parece tanger-se de progressividade, em que só se atinge o final com a chegada ao fim da linha. Assim, a maturidade seria uma meta, mas.. e depois? A maturidade, no meu entender, não é um processo deste tipo, é um processo de (des)avanços, como a regressão na adolescência de que Blos nos fala e defende como algo necessário. Andar para trás e para a frente, desviar-se para os lados, pular de vez em quando, faz-me lembrar aquele jogo do «peixinhos do mar, podemos passar?” em que andávamos o mais possível sem que alguém nos visse, mas se tal sucedesse, teríamos que reiniciar o percurso. O processo de maturação é assim. É um processo por etapas, ora se passa à primeira, ora à segunda, ora temos que ir a recurso ou começar de novo, voltando atrás, solidificar as bases necessárias para a etapa seguinte, e isto não deve ser visto como negativo. Cada etapa tem as suas características e objectivos, funcionais e adaptadas ao momento em que se desenrolam. Deste modo, a criança, comparativamente com um adulto, nunca podem ser vista como um ser imaturo, nem mesmo os adultos podem ser apreciados como processos de maturação acabados. Estamos sempre a aprender ao longo da vida, logo, pondero a maturidade como algo a ser percebido no contexto da realidade de cada sujeito, se as habilidades que possui preenchem os requisitos das tarefas que, a priori, deve concluir. Apressar o desenvolvimento dessas habilidades por se achar que se é imaturo, é tirar o sujeito da sua própria realidade, da sua confort zone, e isso poderá perturbar todo o restante processo de maturação no sujeito.
Por outro lado, a imaturidade implica uma certa dose de egocentrismo. Ao compreender que o processo de maturação se desencadeia com o aumento da idade, percebemos que a criança será menos madura que o adulto (ou, pelo menos, assim é suposto), como já dissemos anteriormente. A maturação ocorre em diversas áreas, nomeadamente ao nível cognitivo e emocional, dois campos importantes no desenvolvimento do sujeito, quer dum ponto de vista social, quer dum ponto de vista mais individual. Todavia, ambos roçam nos relacionamentos e o modo como os sujeitos actuam na vivência com os outros. Espera-se que com o crescimento (em aumento de anos), este de adapte à sociedade, adoptando e agindo de acordo com os padrões esperados nesta, tornando-se, de certa forma, um sujeito mais rígido e menos criativo. A imaturidade seria aqui algo benéfico para a vida do sujeito, no sentido que tornaria (ou deixaria) os sujeitos actuarem de modo mais espontâneo em vez de se tornarem cada vez mais conformados às regras da sociedade. Este aspecto deixa-me a pensar que a maturidade é, do ponto de vista social, um conceito que se traduz pelo crescente conformismo e repressão do interior, do Self, do sujeito, pois aqueles que se manifestam mais emotiva e espontaneamente são sempre vistos como sujeitos mais desadaptados e, lá está, imaturos. A maturidade seria o conformismo às normas sociais, mas gostaria que fosse compreendida como um “poder” do ser humano em superar essas normas e a pressão que os semelhantes fazem para que as adopte, isto é, através da adaptação à sociedade, o sujeito pensasse e actuasse sobre ela, enlevando-se a si próprio. Nem a maturidade nem a imaturidade seriam exclusiva e unicamente boas para o sujeito, pelo que entendo que um misto das duas seria o ideal. Um misto das duas não com o objectivo de tornar a inconstância constante, mas tingindo o percurso do sujeito com avanços e recuos saudáveis ao seu desenvolvimento. Diria que as pessoas que atingem esta fase no processo maturativo são capazes de afrontar a mentalidade dominante de uma forma sublime e de assumir o sofrimento de uma forma quase profética e solitária. Lembro-me de Martin Luther King Jr., esse eterno ser nascido a 15 de Janeiro no ano da Grande Depressão, e penso nele como um elemento inspirador, de tranquilidade. Respiro fundo. É que ouvir vozes de iluminados como este, é agora e sempre um privilégio, pois era (e será) uma voz autónoma e insubmissa relativamente aos acontecimentos do seu tempo; um ser independente da aprovação dos aplausos, mas potenciado por eles; um homem guiado pelos seus princípios pessoais, contudo universais e persistentes na duração.
Penso que o melhor que se pode ensinar a alguém é a ser como é, a conhecer-se; ajudá-lo a desenvolver um pensamento peculiar e autárquico e isto é, no meu entender, a maturidade na sua forma estável, consciente e positiva para o sujeito. Maturidade no sentido de equilíbrio resultante de constantes desequilíbrios, da constância entre etapas com toques do seu contrário; uma forma metódica de se fazer o que se tem a fazer; enquanto que a imaturidade resulta de esforços heróicos derivados de abordagens criadas mais ou menos da fervura da situação. A maturidade é como a inteligência, ao aceitar que há várias e diferentes etapas para a sua estruturação, compreendemos que não existe um único teste capaz de a avaliar na sua globalidade. Assim, o sujeito só será inteligente (e podemos alterar para maturo que o raciocínio é o mesmo), consoante a área, a situação, em que for testado. Continuo, porém, a defender a utilidade dos traços imaturos, aceites no seu contexto, perspectivando a positividade dos mesmos para a vida do sujeito e não pensar que são apenas ideias desadequadas (embora, por vezes, a roçar a genialidade) e que devem ser censuradas. Uma vez que a natureza humana busca o prazer (ou a promessa dele), o sujeito não está, de modo algum, a violentar essa mesma natureza ao adaptar o seu génio a um equilíbrio adequado. Todo o sujeito precisa de conhecimento de si próprio e do mundo para que nele se estabeleça conscientemente, para que a maturidade se perceba como um processo transcendente.
Penso que é essencial observar os outros, relacionarmo-nos com eles, consciencializarmo-nos das semelhanças e das diferenças que nos unem e nos separam dos outros. A pessoa imatura não é capaz de um pleno convívio com as outras pessoas, de se adaptar, de vestir a posição deles, de ter empatia. Deste modo, esta pessoa não só não conhece os outros, como não se conhece a si própria, não se esforça sequer por isso, não se empenha, não luta nem dá luta, não cresce e só se lamenta. Lamentar no sentido de que a sua visão é tão centrada que tudo, o que possa acontecer negativamente, está fora de si e é responsabilidade do outro, da vontade exterior. Se assim é, não precisa de fazer nada, torna-se passiva e espera que o outro, o exterior, se modifique, não havendo uma maturidade (emocional) que torne consciente a igualdade entre os seres e que permita a noção do outro como um ser semelhante dotado de desejos, de vontade e de razão. Dentro da sua imaturidade, são sujeitos tão “controladores” que temem perder o seu lugar, a sua posição relacional, que é sinal da sua identidade, pois, no fundo, nem a própria pessoa acredita em si, não tem definida a sua força e a sua importância no mundo relacional e precisa que alguém lhe mostre isso, frequentemente, pela submissão, pela cedência, ao seu ser.
No que respeita ao amor, posso afirmar, com certeza, que a imaturidade está mais do que presente, considero mesmo até residente permanente, numa casa que é a relação a dois. A adaptação à realidade que é o outro, a consciência desse ser, as suas virtudes e os seus limites, os defeitos que o tornam especial, mas também um ser diferente daquele que nós somos e ainda bem. O outro deve completar-nos e não ser um reflexo do que somos. Este pensamento lembra-me Montesquieu quando disse «é mais fácil conquistar do que manter a conquista». Porque dá trabalho. Dá trabalho essa ligação e fazê-la funcionar quando nem todo o cenário que a comporta é perfeito. O amor imaturo fica fixado na fase do deslumbramento, na chamada lua-de-mel, não avança ou deixa correr o sentimento com a convivência, fica alheado e numa posição narcísica. É uma relação de ego com o ego, em que um desconhece o outro, renuncia aos sentimentos, ignora que estes não sejam estáticos, mas sim dinâmicos e susceptíveis de crescer ou diminuir conforme a forma que são cultivados pelo relacionamento. Se o amor se torna divino, assente numa base de fantasia, e o deslumbramento permanente não é mais que uma ilusão que termina em nada. A pessoa consciente e numa fase de maturidade estável sabe que, como todos os processos de desenvolvimento (e o amor é um deles), a relação amorosa se constrói, pouco a pouco, dentro do possível a cada momento, contornando e resolvendo os obstáculos. Por outras palavras, existe uma estabilidade emocional e matura que se mexe entre progressos e resoluções, pequenas voltas e compreensão do outro, mas também de si próprio. A fase de ligação não é uma simples fase de desejo ou de romantismo, é uma fase de adaptação e partilha. As pessoas imaturas, contudo, querem apenas receber, sentir-se desejadas e relacionar-se unicamente numa forma de satisfação da necessidade afectiva, com a qual não conseguem lidar. O outro é visto como um suporte emocional, uma injecção de satisfação ao ego. O sujeito imaturo tende a introduzir no outro aquilo que ele próprio é, como se tivesse uma relação consigo, pelo espelho, uma adoração de si próprio e, por extensão, a quem lhe dá. Todavia, sabemos que os sentimentos que, no geral, caracterizam as relações (amorosas, sexuais, de amizade, etc.) actualmente, são sentimentos que não têm os dois v’s, como eu costumo dizer: o de vai e o de volta, ou seja, não são recíprocos.
Hoje em dia, os sujeitos esqueceram-se destas componentes relacionais, que são a partilha e a reciprocidade, e a falta que fazem traduz-se na observação das pessoas num simples passeio à rua. Fico inquieta ao pensar neste assunto, no crescente buraco entre a inocência em demasia e o demorado egocentrismo; um buraco vazio, embora centrado num equilíbrio, no qual ninguém lá faz vida. É que há pessoas que passam de verdes a podres, nunca chegam a ficar maduras.. e depois temos que as mandar para o lixo.

segunda-feira, março 24

Num tom "deslimbrado".

Lamentosas as noites perdidas
Na vaidade dos dias,
Desabrocham novelos de vidas
Olham a saudade que perdias.

Conta-me os dias em forma de tons
Retrata-me em paisagens coloridas,
De nada me lembro além de sons
E feridas na memória sentidas.

É meio da noite e abrem-se-me os olhos
Arrepios na pele são mais que mil,
Sinto o bater da alma aos folhos
A vida a fugir-me para um funil.

A que horas sais da minha mente
Diz-me que estou farta de te ouvir,
A voz dói, deixa-me dormente
Tão longe de doer, mas perto de rir.

Cá dentro, olho o tecto do mundo
Lá fora, as unhas em tom escarlate,
Desafio fios de história a sair do fundo
Antes que a saudade me mate.


15 de Março de 2008

quinta-feira, março 6

"O problema não és tu, sou eu."

Claro que não sou eu, eu sou espectacular, como é que o problema poderia ser meu? Mas a grande questão é: não é ser um problema meu, a priori, mas um problema que me envolve e se me envolve, também é meu e, nesse caso, eu quero saber qual é.
Não sei como nasceu esta desculpa mascarada de culpabilização de si próprio em prol do bem-estar do outro. Isso, no fundo, só faz o outro ficar completamente perdido na terra da confusão e da dúvida. E, enquanto lá está, paga uma renda do caralho!
"O que fiz/disse de mal?" e/ou "Quando o fiz/disse?", etc., etc..
Se estão numa de culpabilização, ao menos que o façam à homem: digam a merda toda duma vez, é a melhor maneira de se resolverem as coisas.
Comunicação, amigos, o segredo está na comunicação.
Bom ou mau, que seja logo dito; e não estou aqui a apelar à impulsividade e a que não se deva pensar naquilo que se diz, mas quando se pensa em K várias vezes e se chega a uma conclusão "estável", e se isso envolve outra pessoa, epá, falem.
Começo a chatear-me realmente com estas cenas, tantas merdas de mal-entendidos só porque um diz "fui a sítios" ou "é mais ou menos" e o outro responde com "vou ali" e "talvez, não sei". Se querem ambiguidade, virem-se para a identidade sexual, há aí um vasto campo a explorar. Really.
Qual é o problema de se dizerem as coisas?
Até parece que é preciso pedir desculpas por dizer a verdade. Gosh!
"Ah! Mas o problema não és tu... ando cansada" ou "Não sei o que tenho.. mas nem me apetece pensar nisso" ou "Ando ocupado com a faculdade, depois falamos.." resultam sempre num "Um dia vamos tomar um café e pomos a conversa em dia". Bullshit.
Os dias passam, as semanas e os meses também, e: nada.
Depois chega aquela fase do "Está tudo bem, não se passa nada.." ou "O quê? Eu estranha? Não.. Está tudo bem!" ou ainda aquela situação espantosa de surpresa (e que, pessoalmente, acho fabulosa) "Porque dizes isso? Achas que estou diferente?".
Não, eu não acho que as pessoas ficam diferentes. Eu tenho a certeza.
Se eu não suspeitasse o que quer que fosse, não perguntava e fazia como todos os outros: não queria saber. O problema é que quero saber e é isso que me fode. Mania esta, minha, de me interessar pelas pessoas pah! Devo ter um problema qualquer, não haja dúvida.
Se eu pergunto X é porque notei Y e quero saber Z. É suposto os amigos fazerem isto, perguntar, acho eu. Mas se calhar estou errada e o que vale é que nunca se passa nada, que está sempre tudo igual, nada muda... isto sim deixa-me tranquila! E desinteressada também.
É que se há coisa que me chateia, esta é uma delas.
Sabes.. é que o problema não és tu, sou eu.
*smiles*

terça-feira, dezembro 25

Even with nothin' to say..

"I have nothing to say
yet I write this poem
wasting your time
full of nothing meter
and nothing rhyme
signifying nothing.
Why do I do this?
Ah, that is the question
Whether to wait until
the muse comes to call
inspiring the heart,
or to take my pen in hand
in rebellion of my soul,
and place to the paper,
a bouquet of words,
moved by robust defiance
to create the sublime
and failing miserably."

Brett Nicholas Moore

quinta-feira, novembro 22

Your heart skipping a beat isn't love, it's cardiac arrhythmia.

"Fuck all the pop song puppy love bullshit. Your heart skipping a beat isn't love, it's cardiac arrhythmia. It's not about shortness of breath, either, or how turned on you get or whether you tell yourself you'd throw yourself in front of a bus for her or whatever. You can convince yourself of a lot about how you feel and what you would do in exchange for regular oral sex.

Love is when she drives you insane sometimes. And I don't mean merely "aggravating" or "annoying," I mean flat-out fucking in. Sane. And in a way nobody else can do it in a million years. She'll drive you to the point where you'd gouge out your own eyeball with a melon baller or smack your scrotum a half-dozen times with a ball peen hammer if it means you can be done with this conversation. She'll make you want to chew your own arm off to get out of talking about this. And I don't care how many fucking times you've had this conversation, each time, you know you'll have it again:

Her: I thought you turned the heat on.
You: I did.
Her: Well, I'm still cold. Are you sure you did it right?
You: Yes, I'm pretty sure I know how to turn on a thermostat.
Her: 'Cause you know you have to flip the switch to "heat" and....
You: Honey! I know! How to turn on! A thermostat! I went to college
for it and everything.
Her: Well, I don't feel any heat blowing in here.
You: I know. I think you broke the thermostat again.
Her: I didn't break it.
You: Yes, you did, you put that halogen lamp right next to it again.
Her: That doesn't do anything.
You: Yes, it does.
Her: I thought you fixed it?
You: I did fix it, and you broke it again.
Her: Are you sure you fixed it right?
You: Yes, goddammit, I fixed it right.
Her: How do you know you fixed it?
You: 'Cause it worked when I fixed it!
Her: Well, it's not working now.
You: 'Cause you broke it again!
Her: How'd I break it?
You: You put the goddamn, fucking lamp next to it!
Her: I don't see why a lamp would break a thermostat.
You: OK. I'm going to explain this. One more time. Slowly. Thermostats have a coil inside them that expands and contracts based on the temperature. This is how they know when it is hotter than the setting of the A/C, so it can cool the room off, or colder than the setting of the heating, so it can heat the room up. Halogen lamps generate heat. Halogen lamps generate a lot of heat. That's why you burn your fingers when you touch the bulbs after they've been on for a while. So when you put a halogen lamp next to a thermostat, it causes the coil to keep expanding and expanding and expanding past the point it's intended to expand. This makes the thermostat think it's really, really hot all the time, and it makes the coil less sensitive in the future, and it'll eventually break the coil so I'll have to replace the thermostat.
Her: That doesn't sound right.
You: Trust me. It's right.
Her: How do you know?
You: BECAUSE I TOOK SIXTH GRADE FUCKING PHYSICS, OK?!
Her: Well, I don't think they should make thermostats that can be broken by something little like a lamp.
You: Fine. Don't think that. Write a letter to the manufacturers. Write a letter to universities and tell them to build a better thermostat. I don't fucking care. But that's how they make them. That's why I keep moving the lamp, that's why I keep telling you not to put it back to the right of the bookcase, that's why I've had to fix the thermostat four fucking times now. Stop! Putting! The lamp! Right! Next! To the thermostat!
Her: But on the other side of the bookcase, the front of the hallway is dark, and I can't see inside my gift closet.
You: Well, you can turn on the hall light to go through your gift closet, or you can sit here and be cold! Your choice, honey!
Her: ?
You: ??
Her: :O
You: :|
Her: I don't think you fixed the thermostat right.
You: GOD-MOTHERFUCKING-DAMMIT, I'M GOING TO FIX THAT MOTHERFUCKING THERMOSTAT TOMORROW, AND I SWEAR TO MOTHERFUCKING CHRIST IF YOU PUT THE LAMP NEAR THE THERMOSTAT AGAIN, I WILL SMASH IT TO A MILLION FUCKING PIECES AND SHOVE THEM DOWN YOUR GODDAMN THROAT!!! MOTHERFUCK ME, JESUS!!!!!!

And if the seventh time you have that conversation, knowing full well there will be an eighth time, you'd still rather have that conversation again than imagine a world she's not in, you're in love.

Especially if you do fix that thermostat... again... the next day, and not just so she'll shut up about it, but because you really don't want her to be cold anymore."

Someone.

terça-feira, novembro 6

Se eu te der nada...

Creio que não se pode dizer que dar implica necessariamente receber, pois isso não acontece para todos; não se pode dizer que é um direito universal sem que se aplique a todos e como tal não sucede, não o é. Se eu, no entanto, possuisse esse direito, tu também o possuirias e esse direito só existiria na medida que eu possa cumprir o meu dever de respeitá-lo e tu também.
A teoria de reciprocidade fundamenta-se essencialmente na teoria cristã: há uma recompensa para aquele que dá/deu. Ora, com o passar da inexistência de um tempo, da (des)evolução das culturas e óbvias reflexões nas mentalidades, o dar passou de um prazer a algo materialista e obrigatório a fim de não parecer mal, deixando os pequenos gestos descuidados e desprendidos de valor interior. Dar como lembrança, lembrança do que aconteceu e do que nunca existiu. A vida é preenchida de memórias que construímos, reais ou imaginárias, e nos transformam naquilo que somos. Dar e receber fornece memórias e emoções, define relacionamentos, constrói uma vida.
Se não recebes, ninguém se lembra de ti. Na base dos relacionamentos encontra-se a troca sem interesses secundários, com abundância de respeito e carinho pelo outro: o prazer de dar, a combinação perfeita. Todo o tipo de relacionamento se estabelece numa troca. Receber sem dar apenas indica que esse gesto não teve qualquer valor para nós, que as necessidades dessa pessoa não são importantes como as nossas, para nós, e isso leva ao afastamento do outro. Cada vez que colocamos alguém à nossa frente, estamos a mostrar as nossas necessidades: é preciso ser humilde e deixar o nosso ego inchado de lado e saber dizer o quanto precisamos dos outros (de ti, de mim). A pessoa a quem damos torna-se necessária e isso significa que a amamos, e amar não é apenas dar, é saber exigir.
Considero-me uma pessoa que gosta naturalmente de dar, é uma delícia dar, mas no outro dia tive necessidade de receber e foi uma sensação estranha em mim. Todos precisamos de receber para nos sentirmos bem, para nos sentirmos nós, para existirmos. Suspeito que quem nega essa necessidade não tem consciência dos seus desejos internos, não respeita o seu próprio ego, a si mesma, não é passível de ser amada. Temos que saber dar, sem esperar receber; mas temos que saber exigir, para continuarmos a ser.

Se um dia te desse uma flor, dirias que era amor.
Se um dia te desse nada, ...